segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Olhos

Impossível rotular apenas como 'a janela da alma'.
Através deles vejo o mundo, as cores, as ruas cinzas, os invernos brancos, os verões vermelhos, os amores escondidos e depois encontrados...
Decifro pensamentos, desejo sem tocar, falo e grito por socorro em silêncio, sorrio sem mostrar os dentes, ganho abraços sem braços, beijos sem boca, amor sem transa. 

Iluminados por Dionísio, a pouca luz que atravessa o ambiente, observo extasiada no exato momento que dois olhares se desejam, se gostam, que possuem uma paixão escondida aos olhos do mundo, mas não escondida perante o mar azul, a terra marrom brilhante - e a relva verde que os observou naquele pequeno instante.

Puros, carinhosos, desejáveis, maldosos e carentes.
Não há mais esconderijo quando se mergulha nos olhos.

Minha felicidade? Poder ter o dom de percebê-los, decifrá-los e entendê-los.
Minha angústia? Estar - quase - sempre certa.

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