domingo, 29 de setembro de 2013

A escrever na maré que vem, do amor, de alguém.

Hoje Iemanjá me abraçou
       com o calor de suas ondas geladas, 
                 com a brisa que vinha do horizonte.


"Venha de encontro ao meu coração, banhar-me de sua mais pura energia"

Estava apavorada, com ideias perturbadas, Ela me tranquilizou. Sentei numa pequena pedra, desamarrei minha bota, e coloquei os pés na areia. Sorri instantaneamente sem motivo.

Indo em direção à Sua casa, pedi permissão para entrar. A primeira onda veio e cobriu meus pés, e percebi que isso era um sim, entre aqui. 
                          A água estava fria mas eu a senti confortavelmente quente.
Comecei a andar, em qualquer direção para lugar algum, com passos em ritmos sinceros, a calça molhada na barra, encharcada de amor. Não queria mais sair dali, meu corpo se energizou com aquele poder divino e toda a natureza em volta me recebia para viver.
Mar
   Ondas
       Pedras
           Flores
                 Areia
                     Folhas
                           Céu..]
Quanto amor em meio à coisas que - aparentemente - não possuem coração. Mas eu sei que possuem.
Meus olhos se fizeram de lágrimas quando pedi, com o fôlego mais angustiante, que Iemanjá me desse luz, proteção e a força que eu sinto e sei que Ela possui.
Abri os olhos e a água estava na altura dos meus joelhos. Nada incomodava mais - o frio, o vento - tudo me chamava a crer que eu estava em casa. Ela dizia através do sussurrar do vento “fique calma, seu coração está a salvo".
Energia renovadora que o imenso azul me proporcionou. Respostas foram dadas, angústias foram amenizadas e meu suspiro estava aliviado.

Na minha cabeça, via imagens: vestida de azul, a imagino caminhar pelas águas, espalhando sua força aos marinheiros que desbravam sua imensidão, aos que Nela colocam sua fé, aos que se entregam - como fiz - às suas mãos abençoadas.


“Obrigada, Rainha do Mar", disse ao virar e sair, pé ante pé, da casa mais acolhedora que já entrei.

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