terça-feira, 5 de novembro de 2013

Feras para a liberdade

Perdida na cidade de pedra, 
busco as cores no acinzentado horizonte,
o brilho nos olhos de pessoas asfaltadas
a vida em emoções cimentadas. 

Busco um simples rastro que ainda não esteja tomado
por essa cor que sufoca o colorido do meu sorriso.

Todos correm apressados,
para onde vão? Histórias,
cada um com seu mistério escondido
em rostos sem expressões.

(Sobre)vivendo na mesmice cotidiana do vazio do sentir como leões - ferozes, selvagens e belos - enjaulados que se ponderam perante as grades do mundo, presos em pesados corpos desalmados que se arrastam pelo concreto, na busca pelo flexível.
Caminham de quatro, rugindo, sem direção, enquanto percebo o silêncio do barulho que me incomoda. Me pergunto se há esperança, se existe um pequeno grão de areia capaz de trazer a luz aos selvagens...

Em meio aos iguais ignorantes-sabe-tudo, me destaco pela burrice-duvidosa.

Alienados seres esses que
                    comem, bebem, andam, dormem, amam...                                                                                                                                  porque lhes é orgânico.
Não! Não à essa alienação errônea de uma sociedade em pedaços, não à esse falseado sentimento. Ponte de vidro que nos leva a lugar algum, que se desfaz atrás de nós. Quero o verdadeiro e o único. Quero sentir em meus ossos cada nuance das emoções, vivenciar cada segundo com todo o meu eu, ser algo além de um corpo vazio - e depois de tudo, brindar à vida, a que construí fugindo de valores comuns. 
Quero poder dizer, com toda a sinceridade colorida das palavras, que vivi, que senti...
E sim, 
          Eu vivi.





Beatriz Rodrigues & Juliana Camacho - Texto 02

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