Perdida na cidade de
pedra,
busco as cores no acinzentado horizonte,
o brilho nos olhos de pessoas
asfaltadas
a vida em emoções cimentadas.
Busco um simples rastro que ainda
não esteja tomado
por essa cor que sufoca o colorido do meu sorriso.
Todos correm
apressados,
para onde vão? Histórias,
cada um com seu mistério escondido
em
rostos sem expressões.
(Sobre)vivendo na mesmice cotidiana do vazio do sentir
como leões - ferozes, selvagens e belos - enjaulados que se ponderam perante as
grades do mundo, presos em pesados corpos desalmados que se arrastam pelo
concreto, na busca pelo flexível.
Caminham de quatro, rugindo, sem direção,
enquanto percebo o silêncio do barulho que me incomoda. Me pergunto se há
esperança, se existe um pequeno grão de areia capaz de trazer a luz aos
selvagens...
Em meio aos iguais ignorantes-sabe-tudo, me destaco pela
burrice-duvidosa.
Alienados seres esses que
comem, bebem, andam, dormem,
amam... porque lhes é orgânico.
Não! Não à essa alienação
errônea de uma sociedade em pedaços, não à esse falseado sentimento. Ponte de
vidro que nos leva a lugar algum, que se desfaz atrás de nós. Quero o
verdadeiro e o único. Quero sentir em meus ossos cada nuance das emoções, vivenciar cada
segundo com todo o meu eu, ser algo além de um corpo vazio - e depois de
tudo, brindar à vida, a que construí fugindo de valores comuns.
Quero poder
dizer, com toda a sinceridade colorida das palavras, que vivi, que senti...
E
sim,
Eu vivi.
Beatriz Rodrigues & Juliana Camacho - Texto 02
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